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Os meus binóculos estão a duplicar o planeta Vénus
Depois de focar o binóculo, há que regular a distância entre as duas metade do binóculo de acordo com a sua distância interpupilar (do observador). Haverá uma distância óptima entre as duas metades do binóculo em que as duas imagens se fundem numa só, sem esforço visual. Se não é possível fundir asRead more
Depois de focar o binóculo, há que regular a distância entre as duas metade do binóculo de acordo com a sua distância interpupilar (do observador). Haverá uma distância óptima entre as duas metades do binóculo em que as duas imagens se fundem numa só, sem esforço visual.
Se não é possível fundir as duas imagens numa só, sem esforço visual, então o binóculo estará descolimado (os dois eixos ópticos, das duas metades do binóculo não estão paralelos entre si). Normalmente os binóculos descolimam-se se levarem uma pancada forte, ou se acidentalmente caírem ao chão.
Tente regular lentamente a distância interpupilar do binóculo, afastando e aproximando lentamente as duas metades, até encontrar a separação ideal entre as duas oculares. Se continua a ver dois planetas, o binóculo está descolimado. Onde o comprou?
De dia, na observação de objectos comuns, acontece o mesmo?
G.A.
See lessExiste alguma dica ou técnica para focar binóculo facilmente na observação de planetas?
No caso de Vénus, há quase sempre excesso de brilho, que dificulta o reconhecimento da forma do planeta. Note que, com 15x, só será fácil ver o crescente ou o minguante nas fases em que o planeta está como uma unha cortada no corta-unhas, ou seja, quando faltam menos de duas semanas para a conjunçãRead more
No caso de Vénus, há quase sempre excesso de brilho, que dificulta o reconhecimento da forma do planeta. Note que, com 15x, só será fácil ver o crescente ou o minguante nas fases em que o planeta está como uma unha cortada no corta-unhas, ou seja, quando faltam menos de duas semanas para a conjunção inferior (Vénus como “estrela da da tarde”); ou então menos de duas semanas depois da conjunção inferior (Vénus como “estrela da manhã”) ver nota final. Aqui o brilho é menor e o crescente ou minguante (falcada, ou seja, bem menos de meio disco), será fácil de observar com o binóculo num tripé.
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Fora dessas situações, com 15x não espere ver muito. Com sorte, conseguirá ver metade do disco, com aparência minúscula e muita (demasiada) luz. Nas fases mais cheias do que isso, o diâmetro aparente de Vénus é bastante mais pequeno e não espere ver o disco, em forma de giba (entre meio disco e disco cheio), com 15x. Isso requer uma amplificação maior do que 15x. Quando mais “cheio” estiver o planeta, maior será o excesso de brilho e menor será o diâmetro aparente do planeta. Para reduzir o brilho, filtre, usando filtros sobre as oculares, ou experimente usar óculos muito escuros, juntamente com o binóculo, mas não diafragme as objectivas.
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Para referência, o diâmetro aparente de Vénus, visto da Terra, varia aproximadamente entre 10″ e 62″. É máximo quando Vénus passa entre a Terra e o Sol (quando o Sol e Vénus têm a mesma longitude eclíptica diz-se que o planeta está na conjunção inferior). E apresenta o diâmetro aparente mínimo quando o planeta passa do outro lado do Sol, novamente com a mesma longitude eclíptica que a nossa estrela (situação designada por conjunção superior). Nas conjunções (em sentido estrito), o planeta não é observável.
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Para a focagem, note que raramente temos os dois olhos iguais. Por isso, a maior parte dos binóculos tem uma focagem central, focando dos dois lados, mais uma focagem independente só para a ocular direita. Para focar o binóculo, tapa-se a objectiva direita e foca-se com a focagem central, para o olho esquerdo; depois tapa-se a objectiva esquerda e foca-se com a focagem individual da ocular direita, para o olho direito. Se o binóculo não tiver focagem central, mas sim focagem separada para cada ocular, faz-se como acima, focando separadamente as duas oculares.
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Nota final – Nestas situações, quando escurece, com o céu já azul muito escuro, Vénus já não está muito alto (na situação de estrela da tarde); e quando, de manhã, o céu já está azul muito escuro, Vénus também não estará muito alto. Ou seja, nestas situações mais fáceis (na tal forma de unha cortada no corta-unhas) a elongação de Vénus, em, relação ao Sol já é menos de metade da elongação máxima (elongação máxima aprox 46º -47º).
Veja que elongações destas também ocorrem pouco antes ou pouco depois da conjunção superior (Vénus já a passar para mais longe do que o Sol) , mas aí o o planeta Vénus mostra-se quase cheio e é muito pequeno. Demasiado pequeno para um binóculo de 15x , ou até que fosse de 25x.
Guilherme de Almeida
See lessA relação entre energia e temperatura
Há de facto uma relação de equivalência: 1 eV = 11 604,519 K Justificação: Tal equivalência baseia-se na constante de Boltzmann kB=1,380 648 8 x10–23 J/K e no valor energético do electrão-volt (eV), que é a energia cinética comunicada a um electrão sujeito a uma diferença de potencial de 1 volt, ouRead more
Há de facto uma relação de equivalência:
1 eV = 11 604,519 K
Justificação:
Tal equivalência baseia-se na constante de Boltzmann kB=1,380 648 8 x10–23 J/K e no valor energético do electrão-volt (eV), que é a energia cinética comunicada a um electrão sujeito a uma diferença de potencial de 1 volt, ou seja:
1 eV=1,602 176 53×10–19 J. Ou seja serão 1,602 176 53×10–19 J por cada electrão-volt.
Dividindo 1 eV por kB, obtemos
1 eV/kB= 1,602 176 53 x10–19 J/eV /(1,380 648 8×10–23J/K) =
= 8,617 332 6 x10–5 (J/eV)/(J/K), isto é, simplificando as unidades, teremos
8,617 332 6 x10–5 eV/K.
Concluímos assim que 1 K = 8,617 332 6 x10–5 eV
ou seja, na relação inversa, 1 eV = 11 604,519 K.
(Simbologia das unidades utilizadas: J = joule; K = kelvin; V = volt; eV = electrão-volt).
Note-se que se trata de equivalências e não de reduções como habitualmente se faz (com unidades da mesma grandeza) ao converter polegadas para centímetros, quilómetros para metros ou, ainda, gramas para quilogramas. Aqui trata-se de unidades de grandezas diferentes (o electrão-volt é unidade de energia e o kelvin é unidade de temperatura absoluta).
No mesmo espírito de equivalência, utilizando a equação relativista E = mc2, se tem que
a massa do electrão (9,1×10–31 kg) equivale a 0,511 MeV (1 MeV = 106 eV) ;
ou ainda, considerando m = E/c2, teremos a equivalência 1 eV = 1,783×10–36 kg.
Nas três linhas acima, E designa energia, m indica massa e c é a velocidade da luz no vácuo, sendo c =299 792 458 m/s .
Espero ter correspondido ao pretendido.
Guilherme de Almeida
See lessPorque razão aparecem tão poucos comentários às respostas ?
Este é o único espaço que conheço dedicado inteiramente às perguntas de curiosos (e mais experientes também) sobre assuntos relacionados à astronomia. É muito bom que exista um espaço assim! E realmente uma pena que este espaço esteja tão subutilizado. Eu gostaria de contribuir mais, porém na maioriRead more
Este é o único espaço que conheço dedicado inteiramente às perguntas de curiosos (e mais experientes também) sobre assuntos relacionados à astronomia.
É muito bom que exista um espaço assim!
E realmente uma pena que este espaço esteja tão subutilizado.
Eu gostaria de contribuir mais, porém na maioria dos casos, ou não vejo como responder à maioria das perguntas (por falta de conhecimento da minha parte) ou, não vejo o que acrescentar à resposta dada, pois via de regra elas são muito bem embasadas e respondem a contento a questão levantada.
Faço poucas perguntas, é verdade, pois tenho o hábito e fazer extensas pesquisas para solucionar minhas dúvidas, reservando a este espaço perguntas a cerca de questões que sei que terei muita dificuldade em encontrar respostas através de uma pesquisa.
Este é o meu caso, não sei se isto se aplica à maioria das pessoas…
See lessQuais as principais características da Nebulosa de Águia?
Bom, não vejo o que eu possa acrescentar além do que está aqui: https://en.wikipedia.org/wiki/Eagle_Nebula https://pt.wikipedia.org/wiki/Nebulosa_da_%C3%81guia https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/6/68/Pillars_of_creation_2014_HST_WFC3-UVIS_full-res_denoised.jpg/800px-Pillars_of_creaRead more
Bom, não vejo o que eu possa acrescentar além do que está aqui:
https://en.wikipedia.org/wiki/Eagle_Nebula
https://pt.wikipedia.org/wiki/Nebulosa_da_%C3%81guia
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/6/68/Pillars_of_creation_2014_HST_WFC3-UVIS_full-res_denoised.jpg/800px-Pillars_of_creation_2014_HST_WFC3-UVIS_full-res_denoised.jpg
Situa-se na constelação da Serpente, na parte da cauda (Serpens Cauda).
O que há de particular no nome Pilares da Criação
O termo “pilares” tema ver coma forma que daqui vemos a nebulosa, olhando a partir da Terra. Para um hipotético observador, a milhares de anos-luz da Terra, e olhando numa diferente perspectiva, a visão seria diferente, assumindo outra forma que se pareceria com outra qualquer figura, animal ou estrutura.
O termo “da criação“, tem a ver com o facto de se tratar de uma região activa de formação (criação) de estrelas. Na verdade em parte é uma nebulosa de emissão (H II), com formação de estrelas e em outra parte um enxame estelar com mais de 8000 estrelas componentes.
G.A.
See lessDefinição de imagens
Boa pergunta. Na verdade, a resposta é esta: Plutão é muito pequeno (cerca de 2400 km de diâmetro); o seu diâmetro aparente, visto da Terra (ou do Hubble) não excede 0,11 segundos de arco (0,11"), ou seja 0,0000306º. Um pormenor ou uma estrutura com 1/10 do diâmetro aparente do planeta-anão (~240 kmRead more
Boa pergunta.
Na verdade, a resposta é esta:
Plutão é muito pequeno (cerca de 2400 km de diâmetro); o seu diâmetro aparente, visto da Terra (ou do Hubble) não excede 0,11 segundos de arco (0,11″), ou seja 0,0000306º. Um pormenor ou uma estrutura com 1/10 do diâmetro aparente do planeta-anão (~240 km), que ainda não é uma estrutura fina, medirá 0,011″. E um pormenor realmente fino, medindo 1/100 do diâmetro aparente de Plutão (~24 km) corresponderá a uma resolução angular de 0,0011″. Finalmente, um pormenor de alta resolução, medindo 1/1000 do diâmetro aparente de Plutão (um pormenor com a dimensão real de 2,4 km), corresponderá a uma dimensão aparente de uns incríveis 0,00011″ !
As galáxias e nebulosas estão muito mais longe, é certo, mas são muitíssimo maiores do que Plutão. Daí resultam dimensões aparentes muito maiores. Por exemplo, a galáxia de Andrómeda, vista da Terra, cobre mais de 2º, ou seja, um diâmetro aparente mais de 70 000 vezes superior ao de Plutão, apesar de estar fabulosamente mais longe. A nebulosa do Caranguejo (M1), na constelação do Touro, não sendo das mais extensas, angularmente, mede mesmo assim 420″ x 290″; tomando um valor médio de 300″, é, mesmo assim, 2700 vezes mais extensa, do que Plutão, em dimensão aparente.
As dificuldades em obter detalhes em Plutão, com o Hubble, são comparáveis às de obter imagens definidas de discos estelares e suas manchas e protuberâncias, em outras estrelas. Ora, como sabemos, o Hubble não consegue fazer isso.
Note-se que detectar estrelas de elevada magnitude (por exemplo 30), não é o mesmo que revelar pormenores dos discos dessas estrelas. Os discos que se vêm nas fotografias de estrelas (com o Hubble), rodeados de um ou mais anéis, não são os discos estelares, propriamente ditos, mas sim efeitos de difracção da luz.
O poder separador do Hubble é praticamente igual ao valor teórico, devido à ausência de turbulência atmosférica naquele caso. Sabendo-se que a abertura do Hubble é D = 2,4 m = 240 cm, e que o poder separador r de um telescópio de abertura D (em cm) é dado por
r = 11,6/D, teremos r (Hubble)= 11,6/240=0,048″ .
Ao registar uma imagem de Plutão, o Hubble não pode pois resolver convenientemente nada além do disco propriamente dito de Plutão, que se apresenta com o diâmetro aparente de 0,11″. Permite ver o disco de Plutão, mas um pormenor com metade do diâmetro aparente deste planeta-anão teria apenas 0,11″/2=0,055″, já na ordem de grandeza da resolução máxima possível. Como 0,048/0,11=0,44, o limite corresponderia a detalhes com 44% do diâmetro de Plutão, o que é muito escasso. Imaginemos o que seria ver na Lua apenas pormenores com metade do seu diâmetro aparente, e nada mais fino do que isso… Só para dar uma ideia, a olho nu, nós podemos ver na Lua pormenores com menos de 1/15 do seu diâmetro aparente.
Mais informação sobre os telescópios, as suas capacidades e limites em:
Almeida, Guilherme de —”Telescópios“, Plátano Editora, Lisboa, 2004.
ISBN: 978-972-770-233-6
Referência e sinopse em: http://www.platanoeditora.pt/index.php?q=C/BOOKSSHOW/15
ÍNDICE INTEGRAL: http://astrosurf.com/re/indice_telescopios.pdf
INTRODUÇÃO INTEGRAL: http://astrosurf.com/re/introducao_telescopios.pdf
REVIEW: http://astrosurf.com/re/telescopios_recensao.pdf
APRESENTAÇÃO: http://astrosurf.com/re/telescopios.pdf
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Guilherme de Almeida
See lessDiferença entre imagens dos “Pilares da Criação” de 1995 e 2011
Caríssimo, aqui está uma pergunta muito interessante. Mas quem disse que a forma não se altera? As velocidades da poeira e gás até são enormes, mas as dimensões dessas estruturas são tão gigantescas (anos luz de extensão) que na escala dimensional pouco se nota. Na verdade as diferenças são subtis.Read more
Caríssimo,
aqui está uma pergunta muito interessante.
Mas quem disse que a forma não se altera? As velocidades da poeira e gás até são enormes, mas as dimensões dessas estruturas são tão gigantescas (anos luz de extensão) que na escala dimensional pouco se nota.
Na verdade as diferenças são subtis. Em nebulosas planetárias e em restos de supernovas as velocidades são maiores (NOTA 1 abaixo) e mesmo assim só se notam diferenças sensíveis em décadas.
Imagine uma estrutura com 100 anos-luz de extensão. Não direi “diâmetro” porque raramente são distribuições esféricas. E não o sendo medem diferentes valores em diversas direcções. Suponha que os gases se estendem à velocidade colossal de 500 km/s
Um ano-luz (a. l.), arredondando, vale 10^13 km, pelo que 100 a.l. serão aproximadamente 10^15 km.
Numa expansão a 500 km/s, e sabendo-se que 1 ano tem cerca de 3,17×10^7 segundos, originar-se-á (supondo que tal velocidade se mantém) uma expansão anual de 500×3,17×10^7 km=1,58×10^10 km.
Para um objecto de 100 a.l. de extensão (10^15 km), esta expansão corresponderá a
1,58×10^10 km/10^15 km = 0,0000158 =0,00158% por ano.
Se as velocidades de expansão dos gases forem mantidas (e geralmente a gravidade trava gradualmente esta expansão de gases), em dez anos teremos, sendo muito optimistas, um acréscimo dimensional de 0,158%.
Se a velocidade de expansão for mais moderada, com é o caso das nebulosas que não resultam de restos de supernovas nem são nebulosas planetárias, digamos, expandindo-se a 100 km/s, e para uma dimensão de 100 a.l., o acréscimo dimensional relativo seria, em dez anos, de apenas 0,032%. Detectar isso é como estar a olhar para uma pessoa de 1,70 m e conseguir ver que ela cresceu
0,00032×1,70 = 0,00058 m =0,58 mm… (em 10 anos),
ou seja, 0,058 mm por ano. Mais difícil ainda tratando-se de formas irregulares e difusas.
NOTA 1. Por exemplo na nebulosa do Caranguejo (M1) a velocidade de expansão é de 1,500 km/s. Tal como se observa agora, tem cerca de 11 a.l. de diâmetro.
Nos chamados “Pilares da Criação”, o maior pilar mede cerca de 4 a.l. na maior dimensão. Uma visão tridimensional dos “Pilares da Criação” pode ser vista aqui:
https://commons.wikimedia.org/w/index.php?title=File%3A3D_data_visualisation_of_the_Pillars_of_Creation.webm
GA
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