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  1. Asked: Março 11, 2015In: Observações Astronómicas

    Eclipse Solar 2015-03-20. Como observar em total segurança?

    Guilherme de Almeida AstroNovato
    Added an answer on Março 11, 2015 at 6:52 pm

    O eclipse do Sol ocorrerá de manhã, e pode ver o "horário" aqui:  http://oal.ul.pt/eclipse-do-sol-20-mar-2015/ e mais ainda aqui: http://oal.ul.pt/efemerides-do-eclipse-solar-20-marco/ Com binóculos só poderá fazer observação directa em segurança usando  película-filtro Baader Astrosolar,em frente dRead more

    O eclipse do Sol ocorrerá de manhã, e pode ver o “horário” aqui: 

    http://oal.ul.pt/eclipse-do-sol-20-mar-2015/

    e mais ainda aqui: http://oal.ul.pt/efemerides-do-eclipse-solar-20-marco/

    Com binóculos só poderá fazer observação directa em segurança usando  película-filtro Baader Astrosolar,em frente das objectivas. Veja aqui a película Baader: 

    http://astrofoto.com.pt/_v2010/index.php?page=shop.product_details&flypage=shop.flypage&product_id=182&category_id=93&manufacturer_id=0&option=com_virtuemart&Itemid=26

    Esta película corta-se com uma tesoura normal. No pequeno telescópio também pode utilizar o Baader. A película é fina, mas muito eficaz. Tem de ser montada numa armação de cartão, fixada em frente do tubo do instrumento de observação, seja binóculo ou seja telescópio. Não se preocupe se a película não ficar bem estendida e apresentar algumas ligeiras ondulações.

    http://www.backyard-astro.com/equipment/filters/baader_filter_3.jpg

    http://www.company7.com/astrophy/graphics/90mmSolFilterlg.jpg

    http://www.backyard-astro.com/equipment/filters/baader.html

    A armação do filtro deve ser bem fixada de modo a não se correr o risco dela cair durante a observação.

    Nunca utilize filtros de ocular, pois estalam e os danos na visão, se isso acontecesse, seriam irreversíveis

    Não improvise filtros, pois a eficácia filtrante tem de ser segura:  o  filtro Baader deixa passar apenas 1 parte da radiação solar em 100 000. Ou seja, transmissão de 0,001%. Use este filtro próprio para a função e não improvise com mais nada.

    Para que haja segurança, os filtros, além de terem de ser próprios para a função têm de estar colocados de modo a filtrar a luz solar antes dela entrar no telescópio. Nunca use filtros de ocular: estalam com o calor e os danos na visão seriam irreversíveis.

    Outra técnica é colocar película Baader numa armação de óculos, vazia se vê bem ao longe, ou por cima das suas lentes se usa óculos graduados. Atenção, os óculos escuros, como elemento de filtragem, são o mesmo que nada. Pde fazer um armação de cartolina e  nas aberturas onde seriam as “lentes” colar pequenos rectângulos de película Baader Astroslar  Pode também usar na frente da objectiva do buscador do telescópio. À sempre uma tampinha à mão de diâmetro conveniente, ajustada com feltro autocolante.

    Pode ainda usar um pedaço de cartão  25cmx25cm, onde fez um furo redondo de cerca de 3 a 4 mm de diâmetro. A luz solar atravessa o furo e do lado oposto ao Sol obtém uma imagem pequena mas razoavelmente definida, que pode  projectar num ecrã branco, à sombra da restante cartolina, permitindo seguir o desenrolar do eclipse. Por cada 110 cm de distância entre furo e ecrã, a imagem solar terá cerca de 1 cm de diâmetro (cerca de 3 cm de diâmetro para uma distância de 3 metros, etc). Os 3 a 4 mm de diâmetro do furo dão para distâncias até uns 2 metros. Se quiser maiores distâncias,  aumente ligeiramente o diâmetro do furo. O furo deverá ser ao mesmo tempo suficientemente pequeno para dar nitidez (sem abusar da pequenez) e simultaneamente grande para que a imagem não fique escura: é pois um diâmetro de compromisso. Teste com vários diâmetros enquanto o eclipse não chega. Procure que a superfície onde  a imagem do Sol se forma esteja abrigada de luz lateral, tanto quanto possível, para melhor contraste. Neste último caso, o furo pode ser ainda menor: http://c.tadst.com/gfx/750×500/pinholeprojection.jpg?1 

    Há ainda o método da projecção, que referimos pormenorizadamente no nosso livro “Introdução à Astronomia e às Observações Astronómicas”: http://www.platanoeditora.pt/?q=C/BOOKSSHOW/16 .

    A projecção também se pode realizar com binóculos, tapando uma das objectivas e diafragmando a outra a 10 mm a 12 mm de diâmetro, para evitar o aquecimento no interior do binóculo, especialmente na ocular que está a ser usada. http://c.tadst.com/gfx/750×500/pinhole-projection-binoculars.jpg?1

    Há outros processos, mas envolvem equipamento dedicado e dispendioso.

    Boas observações

    Guilherme de Almeida

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  2. Asked: Abril 10, 2015In: Observações Astronómicas

    Fotografias da Lua

    Francisco Mauricio
    Replied to answer on Março 10, 2015 at 6:40 pm

    Obrigado pela resposta, perfeitamente esclarecedora. Compreendi, sendo a melhor e a mais óbvia explicação, a regra da mudança de posição da sombra ao fim de, digamos, 1/2 hora. Espero agora usar mais este forum.

    Obrigado pela resposta, perfeitamente esclarecedora.

    Compreendi, sendo a melhor e a mais óbvia explicação, a regra da mudança de posição da sombra ao fim de, digamos, 1/2 hora.

    Espero agora usar mais este forum.

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  3. Asked: Março 7, 2015In: Diversos

    Se se encontrassem um astronauta, que lhe perguntariam?

    Joao Calhau
    Added an answer on Março 9, 2015 at 6:55 pm

    "O que te levou lá, amigo? O que trouxeste para dizer?"Penso que gostaria de saber os motivos que levaram tal pessoa ao espaço (e digo isto sem qualquer censura, que também gostava de lá ir). Mas mais do que isso gostava da opinião dele da experiência, sem qualquer pergunta específica a amordaçá-lo.Read more

    “O que te levou lá, amigo? O que trouxeste para dizer?”

    Penso que gostaria de saber os motivos que levaram tal pessoa ao espaço (e digo isto sem qualquer censura, que também gostava de lá ir). Mas mais do que isso gostava da opinião dele da experiência, sem qualquer pergunta específica a amordaçá-lo. Era sentá-lo numa mesa de café e deixá-lo fazer poesia 🙂

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  4. Asked: Março 4, 2015In: Diversos

    O céu é azul, as rosas são vermelhas. Mas porquê?

    Guilherme de Almeida AstroNovato
    Added an answer on Março 4, 2015 at 7:01 pm

    Boa pergunta. A questão não é difícil. E até é muito interessante CÉU AZUL A luz dispersa-se (espalha-se em várias direcções) ao colidir com partículas muito pequenas, de dimensão comparável ao comprimento de onda da luz. Essa dispersão é inversamente proporcional à quarta potência do comprimento deRead more

    Boa pergunta.

    A questão não é difícil. E até é muito interessante

    • CÉU AZUL

    A luz dispersa-se (espalha-se em várias direcções) ao colidir com partículas muito pequenas, de dimensão comparável ao comprimento de onda da luz. Essa dispersão é inversamente proporcional à quarta potência do comprimento de onda da luz.

    Ou seja, a luz de metade do comprimento de onda de outra dispersa-se 2^4=16 vezes mais. Mesmo que seja um caso mais “suave”, com uma luz de comprimento de onda só 1,2 vezes menor que outra, dispersar-se-á  1,2^4=2,07 vezes mais! Assim, a luz de 450 nm dispersa-se mais do dobro de outra de 540 nm (450×1,2=540).

    NOTA:  “nm” é o símbolo do nanómetro; 1 nm=10^-9 m=0,000 001 mm).

    A luz do Sol é interpretada pela nossa visão como branca e a nossa sensibilidade visual estende-se aproximadamente entre os comprimentos de onda de 400 nanómetros e 700 nanómetros. Ou seja, a luz de menores comprimentos de onda (violeta e azul) dispersa-se muito mais do que a de maiores comprimentos de onda (vermelho). Os nossos olhos são pouco sensíveis à cor roxa e por isso é o azul que predomina na dispersão da luz, nas moléculas dos gases do ar. Se não houvesse ar, o céu seria negro, mesmo de dia…

    A luz solar atravessa a atmosfera terrestre e , portanto, o azul que mais se difunde. Ao nascer a ao pôr do Sol, a luz solar atravessa a nossa atmosfera muito obliquamente, numa espessura várias vezes maior do que a espessura da própria atmosfera,  (devido à travessia oblíqua). Sendo a luz enviada na nossa direcção, a dispersão é maior no azul e a parte espectral que se dispersa menos e “segue em frente” é predominantemente laranja e vermelha. Aí está a razão para o Sol poente e nascente de cores alaranjadas e avermelhadas.

    Uma experiência simples: escolha-se um copo transparete, de fundo plano ou quase plano. Tipo copo de “galão”. Deite-se no fundo uma camada de água com cerca de 6 ou 7 mm de espessura. Lancemos a seguir umas 30 ou 40 gotas de leite, misturando-o bem na água. Iluminando o copo por baixo (luz de baixo para cima), com luz de uma lâmpada normal, iremos ver que, olhando por cima (a luz atravessa a mistura de água+leite), a cor da luz nos parece muito mais alaranjada do que a cor da luz da lâmpada vista directamente, ou iluminando directamente um papel branco..

    • ROSAS VERMELHAS

    Quanto à cor vermelha das rosas e de uma parede pintada de vermelho (ou de um papel vermelho), a explicação é que tais superfícies reflectem a luz de forma não uniforme. Ou seja, reflectem mais a luz vermelha e pouco ou nada das outras cores. A luz das restantes cores é mais absorvida e o objecto parece-nos vermelho.

    Iluminando a rosa vermelha com luz vermelha de tom semelhante, a rosa (ou a parede vermelha) vai parecer-nos branca. Iluminando com luz azul, a rosa vai parecer-nos preta….

    É esta a “magia” das cores…

    Um objecto que reflecte uniformemente a luz de todas as cores é visto como branco.

    G.A.

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  5. Asked: Março 2, 2015In: Sistema Solar

    O que serão aquelas luzes em Ceres?

    Guilherme de Almeida AstroNovato
    Added an answer on Março 3, 2015 at 7:03 pm

    Uma hipótese provável é que seja um albedo diferenciado localmente.  De momento ainda ninguém sabe a causa concreta.Sucede algo semelhante com a nossa Lua. No disco lunar, a cratera de Aristarco constitui o ponto mais brilhante, evidenciando-se na fase de lua-cheia.  Com um telescópio, escolhendo umRead more

    Uma hipótese provável é que seja um albedo diferenciado localmente.  De momento ainda ninguém sabe a causa concreta.

    Sucede algo semelhante com a nossa Lua. No disco lunar, a cratera de Aristarco constitui o ponto mais brilhante, evidenciando-se na fase de lua-cheia.  Com um telescópio, escolhendo uma amplificação que dê para observar todo o disco lunar  em simultâneo (cerca de 90x), o efeito é considerável: aquele ponto brilha muito mais do que as regiões em volta e quase parece uma luz acesa!

     Aristarco /Aristarchus encontra-se no hemisfério lunar norte. A sua localização em relação ao disco lunar pode ver-se aqui:

    http://astrobob.areavoices.com/files/2010/08/Moon13d_Frank-Barrett-1024×1024.jpg     (Lua: imagem direita)

    O brilho da cratera de Aristarco evidencia-se ainda mais de tempos a tempos e  existem debates e controvérsias sobre este fenómeno curioso. Como não podia deixar de ser, até a “teoria da conspiração” já o abraçou…

    Quando só uma pequena fracção do disco lunar está iluminada (incluindo a região de Aristarco), esta região não se destaca de forma tão óbvia. Isto sugere uma região com propriedades reflectoras diferentes das partes circundantes. O efeito só é evidente quando os raios solares incidem  quase verticalmente na região, e desaparece sob incidências quase rasantes.

    http://en.wikipedia.org/wiki/Aristarchus_%28crater%29

    A verdadeira explicação do fenómeno em Ceres só será conhecida mais tarde, quando houver novos dados.

    GA

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  6. Asked: Fevereiro 25, 2015In: Diversos

    O perigo das explosões solares

    Guilherme de Almeida AstroNovato
    Added an answer on Fevereiro 25, 2015 at 7:05 pm

    As explosões solares não são perigosas para nós desde que estejamos no planeta Terra. Estas explosões provocam a emissão de partículas de alta energia e radiação que são, é verdade, perigosas para nós e para a vida em geral. Contudo, aqui na Terra estamos protegidos desses perigos pelo campo magnétiRead more

    As explosões solares não são perigosas para nós desde que estejamos no planeta Terra.

    Estas explosões provocam a emissão de partículas de alta energia e radiação que são, é verdade, perigosas para nós e para a vida em geral. Contudo, aqui na Terra estamos protegidos desses perigos pelo campo magnético do nosso planeta e pela atmosfera. As emissões mais perigosas são partículas carregadas (protões e fotões de raios-X).

    Os raios-X são parados pela alta atmosfera, não chegando nem perto da superfície do planeta. Contudo, causam perturbações na ionosfera o que pode dificultar algumas das nossas comunicações por radio. Em conjunto com a radiação ultravioleta, também causa o aquecimento da atmosfera. Um corpo aquecido tende a expandir-se pelo que isto tem o interessante efeito de aumentar o atrito que os satélites em orbitas baixas sofrem, o que pode fazer com que eles caiam mais depressa. Alem disso, podem ainda interferir com os sistemas de GPS.

    Quanto às partículas carregadas, essas raramente atingem a Terra. Mas, quando o fazem, são, na sua maioria, capturadas pelo campo magnético da Terra (causando as auroras). As poucas (muito poucas, mesmo) que se escapam e atingem a superfície não são suficientes para alterar a quantidade de radiação que recebemos de dia para dia, pelo que não têm efeito na nossa saúde.

    As mais fortes explosões solares ocorrem durante ejecções de massa coronal do Sol. Se estivermos “bem” alinhados, levamos com as partículas carregadas e radiação resultante dessas explosões e ai pode dar-se o que se chama de tempestade geomagnética. Estas tempestades podem estragar os nossos satélites, interferindo com os sistemas electrónicos, ou representar algum perigo para astronautas desprotegidos numa missão espacial. Mas monitorizando as ejecções de massa do Sol, podemos prever essas tempestades e avisar os astronautas, que se refugiam na ISS.

    Quando estas tempestades se dão, as auroras podem aumentar bastante, sendo vistas em locais onde tal não acontece normalmente, a latitudes mais baixas.

    Por isto já está a ver que quando se fala no perigo das radiações solares, estamos a referirmos mais ao impacto no nosso estilo de vida e na nossa tecnologia.

    Se estiver interessado, poderá seguir este link (em inglês), para mais informações.

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  7. Asked: Fevereiro 20, 2015In: Sistema Solar

    As misteriosas plumas marcianas. O que são?

    Guilherme de Almeida AstroNovato
    Added an answer on Fevereiro 23, 2015 at 7:07 pm

    As plumas marcianas foram detectadas pela primeira vez em 2012 por, penso eu, astrónomos amadores em pelo menos duas ocasiões diferentes, tendo durado cerca de 10 dias em cada ocasião. O que é anormal neste caso, é que as plumas subiram até 250km de altura. A atmosfera a essa altitude já é muito rarRead more

    As plumas marcianas foram detectadas pela primeira vez em 2012 por, penso eu, astrónomos amadores em pelo menos duas ocasiões diferentes, tendo durado cerca de 10 dias em cada ocasião.

    O que é anormal neste caso, é que as plumas subiram até 250km de altura. A atmosfera a essa altitude já é muito rarefeita – estamos na divisória entre o “ar” e o espaço exterior, pelo que não se espera que estas “névoas” apareçam ai.

    Para lhe ser franco, não se sabe do que são compostas estas plumas mas há duas explicações que são tidas como as mais prováveis:

    • Talvez sejam nuvens de água ou dióxido de carbono gelados ou até poeira. Mas isso significa que os actuais modelos de dinâmica atmosférica terão de ser revistos de modo a incluirem a formação destas estruturas a tão grande altitude.
    • Ou talvez estejam relacionadas com as auroras. Já foram observadas auroras na mesma zona onde as plumas foram descobertas, associadas a grandes perturbações no campo magnético de Marte.

    Mas a verdade é que não temos ainda uma ideia certa do que serão. Espera-se que futuras observações e missões ajudem a levantar o véu de mistério destas estruturas.

    Pode ler mais sobre o assunto aqui (em inglês) e aqui (em português).

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