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Blocos de construção da vida, poderia ter surgido no espaço?
Os blocos de construção da vida, as biomoleculas, são formadas com relativa facilidade por todo o Universo. Encontrado-las em nebulosas planetárias, e as estrelas conseguem produzi-las com facilidade. A origem da vida na Terra e' um topico ainda bastante contestado, no sentido em que varias hipóteseRead more
Os blocos de construção da vida, as biomoleculas, são formadas com relativa facilidade por todo o Universo. Encontrado-las em nebulosas planetárias, e as estrelas conseguem produzi-las com facilidade.
A origem da vida na Terra e’ um topico ainda bastante contestado, no sentido em que varias hipóteses foram avançadas e são igualmente possíveis de acontecer. Temos, por exemplo, o conceito de abiogenese, em que as moléculas orgânicas são formadas a partir de componentes inorgânicos devido as condições extremas da Terra apos a sua formação (química prebiotica). A experiência de Miller-Urey simulou as condições da Terra primordial e conseguiu criar moléculas orgânicas a partir de outros componentes (pensa-se que relâmpagos na atmosfera tenham acelerado o processo).
Outra possibilidade e’ o conceito de Panspermia, em que as moléculas biológicas ou mesmo organismos simples tenham chegado a Terra a partir de cometas ou asteroides que tenham embatido no planeta ao longo do tempo e, dessa forma, colonizado a Terra. Se isto se verificar, então somos todos descendentes de imigrantes. Os próprios humanos são culpados de promover Panspermia, uma vez que as nossas sondas e satélites terão provavelmente levado com elas, inadvertidamente, micróbios que poderão um dia colonizar outro planeta.
O proprio po encontrado no espaço pode conter moléculas biológicas (as chamadas PAH – hidrocarbonatos aromáticos policiclicos), que se terão formado tao cedo como nos momentos imediatamente a seguir ao Big Bang, quando as primeiras estrelas começaram a transformação de hidrogênio e hélio em elementos mais pesados. Sao bastante usadas na procura de exoplanetas (embora a sua descoberta não implique necessariamente a existência de vida).
Muito provavelmente, a razão para origem da Vida na Terra sera não apenas uma destas hipóteses, mas uma mistura de todas elas, trabalhando em conjunto.
Ja as diferentes formas de vida encontradas na Terra sao um tema bastante bem explicado pela Biologia e pela teoria da evolução propostas por Charles Darwin e Alfred Wallace (e depois expandida e melhorada pelas gerações de cientistas que os seguiram), mas esse tema em particular cai fora da area da Astronomia e das ciências do espaço.
See lessQuando Betelgeuse se tornar supernova, a sua explosão atingirá as estrelas vizinhas?
O aumento de temperatura seria, provavelmente, devido a interacção entre as partículas carregadas e a atmosfera/campo magnético, que levaria inclusive a um relativo aumento do buraco de ozono. Note que no caso de Betelgeuse, os efeitos so se sentiriam centenas de milhares de anos depois de vermos aRead more
O aumento de temperatura seria, provavelmente, devido a interacção entre as partículas carregadas e a atmosfera/campo magnético, que levaria inclusive a um relativo aumento do buraco de ozono. Note que no caso de Betelgeuse, os efeitos so se sentiriam centenas de milhares de anos depois de vermos a explosão.
See lessQuando Betelgeuse se tornar supernova, a sua explosão atingirá as estrelas vizinhas?
Os efeitos da explosão de Betelgeuse serão sentidos nas suas proximidades. Serão mesmo sentidos na Terra embora em principio sem particular perigo para a Vida (espera-se uma subida de temperatura de 4 a 5 graus, o que poderá ter consequências a nível de agua do mar, bem como alguma interferência nosRead more
Os efeitos da explosão de Betelgeuse serão sentidos nas suas proximidades. Serão mesmo sentidos na Terra embora em principio sem particular perigo para a Vida (espera-se uma subida de temperatura de 4 a 5 graus, o que poderá ter consequências a nível de agua do mar, bem como alguma interferência nos sistemas electrónicos).
Estrelas “perto” de Betelgeuse irão ser igualmente banhadas na onda de radiação da explosão, mas as distâncias envolvidas são tais que provavelmente não haverá qualquer efeito nelas. Se estivessemos a falar de um sistema onde varias estrelas estão gravitacionalmente ligadas umas às outras, então poderíamos ver alguns efeitos interessantes, com atmosferas estelares a serem arrancadas as estrelas vizinhas ou mesmo estrelas completas a serem desfeitas, dependendo da proximidade e do tamanho dos intervenientes. Mas tanto quanto sabemos não existem estrelas ligadas desse modo a Betelgeuse pelo que provavelmente não lhes acontecerá nada.
Agora, se houvessem planetas a menos de 50 anos-luz de Betelgeuse, a história seria diferente. Pensa-se que se uma supernova explodisse assim tao perto da Terra, as partículas carregadas resultantes da explosão destruiriam a camada de Ozono e seriam mortíferas para formas de vida mais desprotegidas como o plankton. Mas não existem estrelas suficientemente massivas para explodir como supernova a menos de 50 anos-luz da Terra, pelo que não precisamos de nos preocupar com isso.
Se Betelgeuse explodisse, seria um espectáculo visual (seria tao brilhante como a lua cheia e visível durante o dia) e uma grande oportunidade para estudarmos mais esse capítulo final da vida das estrelas, mas não seria um evento catastrófico.
Infelizmente, porque eu estava mesmo entusiasmado com esta, Betelgeuse já recuperou todo o seu brilho natural e está agora de volta a sua actividade normal, pelo que não parece ser desta que observamos uma supernova. O que é pena, porque elas tendem a só acontecer, em média, a cada 240 milhões de anos.
See lessFormato e a atmosfera dos Exoplanetas
Antes de começar eu não sou especialista nesta área pelo que posso ter apanhado mal os detalhes. Todos os exoplanetas deverāo ter a mesma forma que os planetas do nosso sistema solar. Isto é porque a gravidade tende a aplanar as deformações e uma esfera é a forma mais fácil que um sistema em equilíbRead more
Antes de começar eu não sou especialista nesta área pelo que posso ter apanhado mal os detalhes.
Todos os exoplanetas deverāo ter a mesma forma que os planetas do nosso sistema solar. Isto é porque a gravidade tende a aplanar as deformações e uma esfera é a forma mais fácil que um sistema em equilíbrio pode adquirir (ou, se preferir, a gravidade puxa todas as coisas com a mesma força em direcção ao centro, o que leva a forma de uma esfera).
O tamanho de um exoplaneta pode ser calculado a partir da alteração no brilho da estrela quando o exoplaneta lhe passa à frente. Funciona exactamente como um eclipse do Sol, e a queda no brilho da estrela-mãe é proporcional ao quociente entre o raio do exoplaneta e o raio da estrela:
queda em brilho ~ (raio do planeta^2)/(raio da estrela^2)
(O sinal ~ significa “aproximadamente igual – poderão haver algumas constantes envolvidas que eu ignorei em favor de manter a expressão simplificada. Sabemos o tamanho da estrela através do estudo do seu espectro, ou seja o brilho da estrela a cada comprimento de onda do espectro eletromagnético, que nos diz o quao quente e massiva a estrela é).
A atmosfera é algo mais complicado mas uma possível opção é mais uma vez o espectro. A dificuldade esta em separar a luz que nos chega de modo a sabermos qual é a luz da estrela e qual é a luz do planeta. Se conseguirmos fazer isso, e se o planeta for brilhante o suficiente, podemos analisar o espectro e procurar por “marcadores”, normalmente baixas no brilho a comprimentos de onda específicos (que chamamos linhas de absorção), específicos de certas moléculas químicas que formariam a atmosfera do planeta. Mas isto é algo muito difícil de se fazer.
Se estiver interessado, e o inglês não incomodar, este link oferece mais detalhes sobre espectros.
See lessBuraco negro e a espaquetificacao
Esparguetificação e fuga a atração gravitacional de um buraco negro são coisas que dependem da distancia a que se esta do buraco negro (e da massa deste). A Esparguetificação acontece em situações onde o campo gravitacional e' não apenas muito forte, mas com grandes variações de um ponto para o outrRead more
Esparguetificação e fuga a atração gravitacional de um buraco negro são coisas que dependem da distancia a que se esta do buraco negro (e da massa deste).
A Esparguetificação acontece em situações onde o campo gravitacional e’ não apenas muito forte, mas com grandes variações de um ponto para o outro (na direcção radial do objecto responsável pela gravidade). Acontece porque, no caso de um hipotético astronauta a mergulhar de cabeça num buraco negro, por exemplo, a força da gravidade na cabeça e’ muito mais forte do que nos pés do sujeito, o que força o nosso astronauta a “esticar”.
Evitar Esparguetificação e’ então apenas uma questão de evitar a area em redor do buraco negro onde o campo gravitacional e’ suficientemente forte para o efeito ocorrer (depende da massa do buraco negro). Não e’ uma questão de velocidade, ja que a gravidade exercida pelo buraco negro e’ independente da velocidade do objecto que se aproxima dele.
O proprio acto the “ultrapassar” o buraco negro depende da distancia a que estamos dele. Se substituíssemos instantaneamente o Sol por um buraco negro da mesma massa, gravitacionalmente não notaríamos qualquer diferença. Haveriam algumas complicações, como o facto de 8 minutos mais tarde deixarmos de ter luz, mas em termos de gravidade todo o Sistema Solar continuaria como se fosse ainda o Sol que estivesse no sitio. Contudo, se se aproximamos demasiado de um buraco negro, corremos o risco de cair no horizonte de eventos. Esta e’ “fronteira”, que depende também da massa do buraco negro, para alem da qual a luz não pode escapar a gravidade do buraco negro porque a velocidade requerida para isso (velocidade de escape) e’ superior a velocidade da luz (mais ou menos 300 000 km/s).
Como nada pode viajar mais rápido que a luz, para la de um horizonte de eventos nada pode escapar a um buraco negro.
See lessPor que é que não vemos supernovas na nossa galáxia?
Tem razão, quando afirma que a estimativa de supernovas para a nossa galáxia seja de cerca de 2 por cada 100 anos (ou seja uma a cada 50 anos). Estudos conduzidos com o satélite Integral, da ESA, que procurou por emissões de raios gama como os que se formam durante estas explosões, confirmam que a tRead more
Tem razão, quando afirma que a estimativa de supernovas para a nossa galáxia seja de cerca de 2 por cada 100 anos (ou seja uma a cada 50 anos). Estudos conduzidos com o satélite Integral, da ESA, que procurou por emissões de raios gama como os que se formam durante estas explosões, confirmam que a taxa media de supernovas na via lactea é de a referida acima (esta taxa não inclui supernovas de tipo Ia, que são casos especiais porque resultam de explosões de anãs brancas e são eventos muito mais raros).
Contudo é importante notar duas coisas: este resultado assume que a frequência das explosões se manteve a mesma ao longo da historia da nossa galáxia – o que pode não ser verdade. Outro factor é o facto de termos dados numa escala de tempo bastante pequena (apenas alguns séculos). 300 ou 400 anos pode-nos parecer muito, mas a escala do Universo é uma insignificância, pelo que pode acontecer que os nossos registos tenham apenas apanhado uma parte da vida da nossa galáxia em que um numero anormal de estrelas explodiu como supernova e que o numero destes objectos que aparecem por unidade de tempo seja na verdade mais pequeno que o que pensamos.
Tambem pode acontecer que os nossos modelos de formação de estrelas estejam errados e que o numero de estrelas com massa necessária para explodir como supernova que é gerado cada vez que a Via Lactea produz estrelas seja mais baixo que o que pensamos – o que levaria a que houvessem menos supernovas do que o esperado, também.
See lessPorque é que o nosso Big-Bang não pode ser um Black-Hole de outro Universo?
Ha algumas dificuldades no que respeita ao nosso Universo poder ser o interior de um buraco negro. A teoria por trás desta ideia e' a de que a matéria absorvida por um buraco negro poderia, em principio, sair por um objecto semelhante chamado buraco branco (onde nada pode entrar, so sair), ligado aoRead more
Ha algumas dificuldades no que respeita ao nosso Universo poder ser o interior de um buraco negro.
A teoria por trás desta ideia e’ a de que a matéria absorvida por um buraco negro poderia, em principio, sair por um objecto semelhante chamado buraco branco (onde nada pode entrar, so sair), ligado ao buraco negro e formando aquilo a que chamamos uma ponte de Einstein-Rosen ou Buraco Minhoca. Uma estrela que colapsasse como buraco negro poderia, neste caso, criar um Universo no outro lado do Buraco Minhoca. Este Universo começaria pequeno, mas poderia eventualmente expandir-se muito um pouco como acontece com o nosso próprio Universo desde o Big-Bang. Quando o Buraco Negro no “nosso lado” desaparecesse, pelo processo de evaporação, os dois Universos separar-se-iam e tornar-se-iam independentes.
O problema é que esta teoria necessita da existencia de algo chamado “Materia Exotica”. Este tipo de matéria teria propriedades “malucas” como mover-se na direcção contraria ao esperado se a empurrássemos. Até ao momento, a matéria exotica não passa de um exercício teórico e ainda ninguém a conseguiu observar.
Outro problema é que não resolve a questão de como o Universo se forma. Mesmo que o nosso Universo se tenha formado a partir de um Buraco Negro noutro Universo, de onde veio então esse Universo? Esta ideia pode levar ao problema do numero infinito de Universos o que torna a teoria não verificável.
Isto tudo assumindo que o nosso entendimento da física e dos buracos negros e evolução do Universo esta correcta claro. Pode acontecer que nos tenha escapado alguma coisa e hajam problemas nas equações que usamos na nossa física.
Neste momento não podemos dizer que o Universo não surgiu de um buraco negro mas também não podemos afirmar que o fez. Ate termos dados para verificar a validade das previsões de uma teoria, o máximo que podemos fazer é manter as hipóteses em aberto.
Se o ingles nao incomodar, o fisico Lee Smolin deu uma Q&A onde este tema é tocado aqui.
See lessSe se encontrassem um astronauta, que lhe perguntariam?
Dia 20 de Julho, quem quiser terá com certeza a oportunidade de colocar estas perguntas ao astronauta Pedro Duque (Agência Espacial Europeia) e o investigador Stephane Ghiste (European Astronaut Centre).É na Universidade de Coimbra, e o evento é aberto ao público.Deixo aqui o link a quem interessar:Read more
Dia 20 de Julho, quem quiser terá com certeza a oportunidade de colocar estas perguntas ao astronauta Pedro Duque (Agência Espacial Europeia) e o investigador Stephane Ghiste (European Astronaut Centre).
É na Universidade de Coimbra, e o evento é aberto ao público.
Deixo aqui o link a quem interessar: http://www.lip.pt/events/2015/lip_coimbra_escola_verao/
See lessQue consequências poderiam acontecer se perdêssemos a Lua?
Bom, o efeito de perdermos a beleza nocturna da Lua seria real, claro. Já não teríamos as fases da lua, nem a "Lua das Colheitas". Mas haveria outras consequências: Consequência imediata: As marés tais como as conhecemos desapareceriam. A Lua é responsável por cerca de 60%, se não estou em erro, daRead more
Bom, o efeito de perdermos a beleza nocturna da Lua seria real, claro. Já não teríamos as fases da lua, nem a “Lua das Colheitas“. Mas haveria outras consequências:
E finalmente a positiva:
- Deixava de haver poluição luminosa para as minhas observações do céu profundo.
See lessSe se encontrassem um astronauta, que lhe perguntariam?
"O que te levou lá, amigo? O que trouxeste para dizer?"Penso que gostaria de saber os motivos que levaram tal pessoa ao espaço (e digo isto sem qualquer censura, que também gostava de lá ir). Mas mais do que isso gostava da opinião dele da experiência, sem qualquer pergunta específica a amordaçá-lo.Read more
“O que te levou lá, amigo? O que trouxeste para dizer?”
Penso que gostaria de saber os motivos que levaram tal pessoa ao espaço (e digo isto sem qualquer censura, que também gostava de lá ir). Mas mais do que isso gostava da opinião dele da experiência, sem qualquer pergunta específica a amordaçá-lo. Era sentá-lo numa mesa de café e deixá-lo fazer poesia 🙂
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